Cirurgia Refrativa em São Paulo: guia completo sobre LASIK, PRK, KLEX (SMILE) e Lente Fácica

Publicado por Dr. Glauco Aquino, oftalmologista | CRM-SP 216.478 | RQE 126.831

Última revisão: 25 de maio de 2026


A cirurgia refrativa é um procedimento que corrige erros de refração do olho, como miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia (vista cansada), reduzindo ou eliminando a necessidade de óculos e lentes de contato. Existem diferentes técnicas, as mais comuns são LASIK, PRK, KLEX (SMILE) e implante de Lente Fácica (como a ICL), e a escolha entre elas depende das características individuais de cada olho. Nem toda técnica é indicada para todo paciente, e a avaliação pré-operatória detalhada é o que define qual caminho é o mais seguro e eficaz para cada caso.


Índice


O que é cirurgia refrativa

O olho humano funciona como uma câmera. Para enxergar com nitidez, a luz precisa ser focada exatamente na retina. Quando isso não acontece, surge o erro refrativo: miopia (foco cai antes da retina), hipermetropia (foco cai atrás da retina) ou astigmatismo (foco irregular, causado pela curvatura assimétrica da córnea).

Os óculos e as lentes de contato corrigem esse desvio de fora para dentro. A cirurgia refrativa corrige o olho em si, modificando a curvatura da córnea com laser ou implantando uma lente dentro do olho para que a luz passe a ser focada no lugar certo.

O resultado, quando a indicação é correta, é visão sem dependência de correção óptica, ou com dependência muito reduzida. Cirurgia refrativa não é garantia de visão perfeita para todos. É uma possibilidade com alta taxa de sucesso quando há boa indicação e cirurgião experiente.


Quem pode fazer cirurgia refrativa

A avaliação define quem pode e quem não pode operar. Mas existem critérios gerais que orientam a conversa inicial.

Em geral, são candidatos:

  • Adultos com 21 anos ou mais, com grau estável por pelo menos 12 meses
  • Miopes, astigmatas ou hipermétropes dentro de certos limites de grau
  • Córnea com espessura e curvatura adequadas para o tipo de cirurgia escolhida
  • Olho saudável, sem doenças ativas como glaucoma não controlado ou catarata significativa
  • Expectativa realista: a cirurgia tem como objetivo reduzir a dependência de correção óptica, não garantir visão perfeita em todos os casos

Em geral, não são candidatos (ou exigem avaliação mais cuidadosa):

  • Pacientes com ceratocone (irregularidade da córnea que contraindica o laser — pode ser tratada com lente fácica em casos selecionados)
  • Córneas muito finas ou com curvatura desfavorável ao laser
  • Grau muito alto de miopia ou astigmatismo além dos limites seguros de cada técnica
  • Mulheres grávidas ou amamentando
  • Pacientes com doenças autoimunes ativas que afetam a cicatrização
  • Olho seco moderado a grave sem controle prévio

Ter um grau alto não é, por si só, uma contraindicação. Para graus elevados que tornam o laser inviável, a lente fácica costuma ser a alternativa mais indicada. Pacientes com ceratocone podem se beneficiar do implante de lente fácica, se a curvatura central da córnea estiver regular.


As principais técnicas de cirurgia refrativa

LASIK

O LASIK (Laser-Assisted In Situ Keratomileusis) é a técnica mais realizada no mundo. O cirurgião cria um flap fino na córnea, aplica o laser excimer na camada interna para remodelar a curvatura e reposiciona o flap.

A recuperação é rápida: a maioria dos pacientes já enxerga bem no dia seguinte. O desconforto pós-operatório é mínimo.

Indicado para: miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia (vista cansada) dentro dos limites compatíveis com a espessura corneana disponível.

Limitações: exige córnea com espessura suficiente para criar o flap com segurança. Não é indicado para córneas muito finas ou com suspeita de ceratocone.

PRK (Photorefractive Keratectomy)

No PRK, não há flap. O laser é aplicado diretamente na superfície da córnea, após remoção do epitélio corneano.

A recuperação é mais lenta que no LASIK (3 a 7 dias de desconforto ocular e visão turva enquanto o epitélio regenera), mas o resultado visual final é equivalente. Por não envolver flap, o PRK preserva mais espessura corneana, sendo preferido em córneas mais finas ou em pessoas que praticam esportes de contato.

Indicado para: casos semelhantes ao LASIK, com preferência quando a córnea tem espessura limítrofe ou há risco de trauma ocular.

KLEX e SMILE (Keratorefractive Lenticule Extraction)

O KLEX (Keratorefractive Lenticule Extraction) é uma técnica realizada com laser de femtossegundo. Um disco de tecido corneano (lentícula) é criado dentro da córnea e removido por uma pequena incisão. Não há aplicação de laser na superfície.

Por ser minimamente invasivo, o KLEX preserva melhor a inervação corneana, o que em alguns estudos resultou em menor ressecamento ocular comparado ao LASIK no pós-operatório.

Existem diferentes nomes para essa técnica, de acordo com a plataforma de laser utilizada:

  • SMILE (Small Incision Lenticule Extraction) — plataforma Visumax, Zeiss
  • CLEAR — plataforma Ziemer
  • SmartSIGHT — plataforma Schwind

Todos se referem à mesma técnica (KLEX).

Indicado para: miopia e astigmatismo dentro dos limites da técnica.

Limitações: não é universalmente disponível e exige equipamento específico. A correção de hipermetropia ainda tem aprovações limitadas dependendo do sistema.

Lente Fácica

A lente fácica não usa laser na córnea. Uma lente ultrafina, de material biocompatível, é implantada dentro do olho, entre a íris e o cristalino natural. Por não remover tecido da córnea, é a principal alternativa para pacientes que não são candidatos ao laser, especialmente por grau muito alto ou córneas inadequadas. A lente pode ser removida se necessário, tornando-a uma opção reversível.

As principais opções disponíveis no mercado atualmente:

  • ICL (Implantable Collamer Lens) — STAAR Surgical
  • Eyecryl Phakic — Biotech
  • Intralens — Mediphacos

Recentemente a ICL foi aprovada no Brasil para graus mais baixos, o que amplia as indicações para pacientes com córneas inadequadas para o laser mesmo em graus menores que 6 dioptrias.

Indicado para: miopia, astigmatismo, córneas finas ou com ceratocone em casos selecionados.

Limitações: exige câmara anterior com profundidade adequada e ausência de catarata. A avaliação inclui medições específicas do olho para garantir o encaixe correto da lente.


Comparativo entre as técnicas

LASIKPRKKLEX (SMILE)Lente Fácica
Flap corneanoSimNãoNãoNão (implante)
Recuperação visual1–2 dias5–7 dias1–3 dias1–7 dias
Indicado para grau muito altoDependeDependeDependeSim
ReversívelNãoNãoNãoSim
Remove tecido da córneaSimSimSimNão
Indicado para córnea finaNãoLimites maiores que LASIKNãoSim

Cirurgia refrativa para presbiopia (vista cansada)

A partir dos 40 anos, muitos pacientes passam a ter dificuldade para enxergar de perto, mesmo tendo boa visão de longe. Isso é a presbiopia, e acontece porque o cristalino do olho perde flexibilidade com o tempo.

Existem técnicas de laser que tratam a presbiopia modificando a córnea para ampliar a profundidade de foco do olho. Para pacientes acima de 55 anos, ou quando há presença de catarata, a cirurgia do cristalino com lentes de alta tecnologia (multifocal, trifocal ou EDOF) costuma ser a indicação mais completa.

Para entender em detalhe como funciona cada abordagem e qual perfil de paciente se beneficia de cada opção, veja a página dedicada ao tema: Cirurgia para Presbiopia em São Paulo.


Como é a avaliação pré-operatória

A avaliação pré-operatória é a etapa mais importante da cirurgia refrativa. É ela que define se você é candidato, qual técnica é mais adequada para o seu caso e quais os riscos envolvidos.

Uma avaliação completa inclui:

Topografia e tomografia de córnea: mapeamento tridimensional da curvatura, espessura e regularidade da córnea. É o exame mais importante para detectar ceratocone subclínico, que contraindica o laser.

Refração com e sem cicloplégico (dilatação): medição precisa do grau com o músculo ciliar relaxado por colírio, para eliminar o componente de acomodação do olho. O cristalino pode alterar o grau medido, especialmente em pacientes mais jovens. Após os 40 anos, essa capacidade diminui, causando a presbiopia.

Paquimetria: medição da espessura da córnea. Define a quantidade de tecido disponível para o laser.

Aberrometria: mede as aberrações ópticas individuais do olho, útil para planejar tratamentos personalizados (Wavefront-guided ou Wavefront-optimized).

Avaliação do filme lacrimal: olho seco pré-existente influencia a técnica escolhida e o pós-operatório.

Pressão ocular e fundo de olho: descartam condições que contraindiquem o procedimento.

A avaliação costuma durar entre 1 e 2 horas. Os olhos ficam dilatados por algumas horas, então é importante não dirigir após o exame.


Como é o procedimento

LASIK e PRK

O procedimento é realizado com o paciente acordado, com colírio anestésico. Não há dor durante a cirurgia, apenas uma leve sensação de pressão. O laser excimer remodela a córnea em poucos segundos a minutos por olho, dependendo do grau. A cirurgia completa (dois olhos) geralmente dura menos de 20 minutos na sala cirúrgica.

KLEX (SMILE)

Processo semelhante em termos de conforto. O laser de femtossegundo trabalha dentro da córnea criando a lentícula, que é removida por uma incisão de 2 a 4 mm. Duração semelhante ao LASIK.

Lente Fácica

O implante é realizado com anestesia tópica (colírio) e sedação leve. O cirurgião faz microincisões na córnea periférica e posiciona a lente dentro do olho. O procedimento dura cerca de 20 a 30 minutos por olho.

Em todos os casos, a internação não é necessária. O paciente vai para casa no mesmo dia.


Recuperação e cuidados pós-operatórios

LASIK, KLEX e Lente Fácica

A visão pode melhorar significativamente nas primeiras horas. No dia seguinte, a maioria dos pacientes já enxerga bem o suficiente para atividades leves. O retorno ao trabalho de escritório costuma ser possível na primeira semana.

PRK

Os primeiros 3 a 7 dias envolvem desconforto ocular (ardência, sensação de areia, lacrimejamento) e visão embaçada. Uma lente de contato terapêutica é colocada para proteger a superfície enquanto o epitélio regenera. A visão estabiliza completamente em 4 a 8 semanas.

Cuidados comuns a todas as técnicas

  • Usar os colírios prescritos rigorosamente nas primeiras semanas
  • Evitar esfregar os olhos
  • Proteger os olhos do sol com óculos de proteção UV nas semanas seguintes
  • Evitar piscinas, mar e ambientes com muita poeira no primeiro mês
  • Comparecer a todas as consultas de revisão programadas

Riscos e limitações

A cirurgia refrativa tem um excelente perfil de segurança quando bem indicada e realizada. As complicações graves são raras. Mas existem situações que devem ser conhecidas antes da decisão.

Regressão do grau: parte da correção pode regredir ao longo dos anos, especialmente em graus muito altos. Isso não significa que a cirurgia falhou. A chance de regressão diminuiu muito com as novas plataformas de laser.

Olho seco pós-operatório: queixa relativamente comum, geralmente temporária. Menos de 1% dos pacientes apresentam olho seco mais severo após 6 meses. Em pacientes com olho seco pré-existente, pode ser mais prolongado.

Halos e glare noturna: visão de halos ao redor de luzes noturnas é comum nos primeiros meses e costuma diminuir com o tempo.

Subcorreção ou sobrecorreção: o laser é planejado para o grau medido na avaliação, mas o olho pode responder de forma ligeiramente diferente. Ocorre em menos de 5% dos casos. Uma reoperação pode corrigir resíduos significativos.

A conversa franca sobre expectativas é parte essencial da consulta pré-operatória.


Cirurgia refrativa em São Paulo: o que considerar na escolha do médico

São Paulo concentra grande parte dos centros de referência em cirurgia refrativa do Brasil. A oferta é ampla, e isso exige atenção na hora de escolher.

Formação e especialização: o médico deve ser oftalmologista com experiência específica em cirurgia refrativa. Verifique o CRM e o RQE (Registro de Qualificação de Especialista) no site do CFM.

Avaliação pré-operatória detalhada: uma boa clínica dedica tempo à avaliação. Desconfie de consultas muito rápidas ou de pressão para decidir na primeira visita.

Acesso a diferentes tecnologias: existem diversas plataformas de laser, e a avaliação pré-operatória definirá qual a melhor para o seu caso. Ter acesso a centros cirúrgicos de ponta amplia o leque de tratamentos possíveis.

Acesso pós-operatório: saber como funciona o suporte após a cirurgia é fundamental.

Transparência sobre indicação: um bom cirurgião diz não quando a cirurgia não é indicada. Isso é proteção, não limitação.


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Perguntas frequentes sobre cirurgia refrativa

A cirurgia refrativa é permanente? O efeito da cirurgia é permanente no sentido de que o tecido removido da córnea não se regenera. Mas o olho continua envelhecendo normalmente. Com o tempo pode surgir a presbiopia, que é independente da cirurgia e pode ser tratada com laser. Regressão parcial do grau pode ocorrer em alguns casos de grau inicial mais alto.

Qual a idade mínima para fazer cirurgia refrativa? Em geral, 21 anos, com grau estável por pelo menos 12 meses. A estabilidade do grau é mais importante do que a idade isoladamente.

Posso fazer cirurgia refrativa se uso lente de contato? Sim, mas é necessário suspender o uso antes da avaliação. Lentes gelatinosas (soft) devem ser suspensas por pelo menos 5 a 7 dias. Lentes rígidas por 3 a 4 semanas. As lentes moldam temporariamente a córnea, e a avaliação precisa refletir a forma real do olho.

Quanto tempo leva para a visão estabilizar? No LASIK e na lente fácica, a maioria dos pacientes já enxerga bem nas primeiras 24 a 48 horas, com estabilização completa em 1 a 3 meses. No PRK, o primeiro mês pode apresentar mais flutuações, com estabilização em 4 a 8 semanas.

Posso fazer cirurgia refrativa se tenho astigmatismo e miopia juntos? Sim. A maioria das técnicas corrige miopia ou hipermetropia e astigmatismo simultaneamente. A avaliação define os limites compatíveis com cada técnica para o seu caso específico.

Cirurgia refrativa resolve a presbiopia (dificuldade para ver perto após os 40)? Sim, com planejamento específico. Existem alternativas como a visão balanceada, a correção multifocal refrativa para presbiopia e a cirurgia do cristalino com implante de lentes multifocais. Saiba mais em: Cirurgia para Presbiopia em São Paulo.

Quem tem muito grau pode fazer cirurgia refrativa? Depende do grau e das características do olho. Para miopia muito alta (acima de -8 a -10 dioptrias, variando por caso), o laser pode não ser suficiente ou seguro. Nesses casos, a lente fácica costuma ser a alternativa mais indicada, por não remover tecido da córnea.

A cirurgia refrativa dói? Durante o procedimento, não. O colírio anestésico elimina a dor. No pós-operatório imediato do LASIK e da lente fácica pode haver incômodo nas primeiras horas. No PRK, os primeiros dias são mais desconfortáveis, com sensação de areia e lacrimejamento. Todo o desconforto é manejado com colírios e medicações prescritas.


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Sobre o autor

Dr. Glauco Aquino Oftalmologista especialista em Cirurgia Refrativa, Cirurgia de Catarata e Glaucoma Clínico e Cirúrgico Avançado. Fellowship e Residência Médica pela UNIFESP. Atende exclusivamente particular na Vila Mariana, São Paulo.

CRM-SP 216.478 | RQE 126.831


Dr. Glauco Aquino / CRM-SP 216.478 | RQE 126.831