Publicado por Dr. Glauco Aquino, oftalmologista | CRM-SP 216.478 | RQE 126.831
Última revisão: 4 de junho de 2026
A lente fácica é uma lente intraocular ultrafina, implantada dentro do olho para corrigir miopia e astigmatismo. Diferente do LASIK, do PRK e do KLEX (SMILE), ela não remove tecido da córnea. A lente é posicionada entre a íris e o cristalino natural, onde permanece invisível e imperceptível ao paciente.
A lente fácica é especialmente indicada para quem tem grau muito alto, córneas finas ou características que tornam o laser inviável ou menos seguro. Para esse perfil de paciente, ela costuma ser a opção mais eficaz e com os melhores resultados visuais disponíveis hoje.
Índice
- O que é a lente fácica e como ela funciona
- Quem pode fazer
- Opções disponíveis no Brasil: ICL, Eyecryl e Intralens
- ICL EVO: a geração atual da ICL
- Como é a cirurgia de lente fácica
- Lente fácica versus laser: qual a diferença
- Resultados e qualidade visual
- Recuperação e cuidados pós-operatórios
- Avaliação pré-operatória
- Lente fácica em São Paulo: o que considerar
- Perguntas frequentes
O que é a lente fácica e como ela funciona
A lente fácica é uma lente intraocular fácica: “fácica” significa que ela é implantada sem remover o cristalino natural do olho. Isso a diferencia das lentes usadas na cirurgia de catarata, em que o cristalino é substituído.
A lente é fabricada com material biocompatível. Funciona como uma lente de contato permanente dentro do olho. Corrige o erro refrativo (o grau do olho) adicionando poder óptico ao sistema visual, sem modificar a estrutura da córnea, como o laser faz. O cristalino natural continua no lugar, preservando a capacidade de acomodação (a possibilidade de enxergar objetos mais próximos) em pacientes mais jovens.
Por não remover tecido da córnea, a lente fácica pode ser removida ou substituída se necessário, o que a torna uma opção reversível. É uma característica técnica do procedimento.
Quem pode fazer lente fácica
A avaliação pré-operatória define quem é candidato. Em geral, são bons candidatos:
- Adultos entre 21 e 50 anos com grau estável por pelo menos 12 meses
- Míopes com grau entre -3 e -20 dioptrias (dependendo dos parâmetros do olho)
- Astigmatas com cilindro até -6 dioptrias (nas versões tóricas)
- Pacientes com córnea fina ou curvatura inadequada para o laser
- Pacientes com ceratocone, em casos selecionados, após avaliação cuidadosa
- Quem foi informado de que não pode fazer LASIK/PRK por características corneanas
Recentemente, a ICL foi aprovada no Brasil para graus mais baixos (menores que -6 dioptrias), ampliando as indicações para pacientes com córneas inadequadas para o laser mesmo em graus menores.
Condições necessárias para o implante:
- Câmara anterior com profundidade adequada (espaço entre a córnea e o cristalino)
- Contagem endotelial adequada (células da camada interna da córnea)
- Ausência de catarata
- Ausência de glaucoma, inflamações e outras doenças oculares
Quem geralmente não é candidato:
- Câmara anterior muito rasa
- Contagem endotelial abaixo do mínimo seguro
- Grau fora dos limites tratáveis
- Presença de catarata (nesse caso, a cirurgia de catarata com lente premium é mais indicada, veja Cirurgia de Catarata em São Paulo)
Opções disponíveis no Brasil: ICL, Eyecryl e Intralens
Existem atualmente três principais opções de lente fácica disponíveis no Brasil:
ICL (Implantable Collamer Lens), da STAAR Surgical: é a lente fácica mais estudada e com maior volume de dados publicados na literatura científica. Fabricada com Collamer, material que combina colágeno e polímero, tem índice de refração próximo ao do tecido ocular. A versão mais atual é a EVO ICL.
Eyecryl Phakic, da Biotech: lente fácica com material hidrofílico, disponível em versões esféricas e tóricas. Tem presença crescente no mercado mundial e bons resultados em diversos estudos científicos.
Intralens, da Mediphacos: lente fácica de fabricante brasileira, com versões para diferentes faixas de grau e opções tóricas para correção de astigmatismo. Apresenta bons resultados em estudos científicos.
A escolha entre as três depende das características do olho, dos parâmetros de cada lente e da experiência do cirurgião com cada implante. O mais importante é que a lente escolhida seja adequada para as medidas do olho do paciente.
O Dr. Glauco Aquino não possui vínculo comercial com os fabricantes citados nesta página.
ICL EVO: a geração atual da ICL
A EVO ICL é a versão mais atual da lente implantável da STAAR Surgical. Ela incorpora uma inovação importante em relação às gerações anteriores: um orifício central (KS-Aquaport) no centro da lente.
Esse orifício permite que o humor aquoso circule naturalmente pelo olho sem necessidade de iridotomia prévia, um procedimento com laser que era necessário antes da cirurgia nas versões anteriores. Com a EVO ICL, essa etapa é eliminada na maioria dos casos.
A EVO ICL está disponível para correção de miopia com ou sem astigmatismo (na versão tórica, a EVO Toric ICL).
Como é a cirurgia de lente fácica
A cirurgia é realizada com anestesia tópica (colírio anestésico) e sedação leve. O paciente fica sedado e não sente dor durante o procedimento.
O cirurgião acessa o espaço onde a lente ficará de forma microscópica. A lente fácica, dobrada dentro de um injetor, é introduzida no olho e se desdobra no espaço entre a íris e o cristalino. O cirurgião posiciona a lente na orientação correta e verifica o alinhamento, especialmente nas versões tóricas.
As microincisões se fecham sem necessidade de suturas na maioria dos casos. O procedimento dura cerca de 20 a 30 minutos por olho. Não há internação: o paciente vai para casa no mesmo dia.
Quando os dois olhos precisam ser operados, a cirurgia costuma ser realizada com um intervalo de alguns dias a uma semana entre eles, dependendo do planejamento.
Lente fácica versus laser: qual a diferença
A lente fácica e as técnicas a laser (LASIK, PRK, KLEX) são as principais opções de cirurgia refrativa para adultos com miopia, hipermetropia e astigmatismo. Elas têm perfis de indicação diferentes e, em muitos casos, uma é claramente mais adequada que a outra.
Para entender as outras técnicas a laser disponíveis, veja a página completa sobre cirurgia refrativa em São Paulo.
| Laser (LASIK/PRK/KLEX) | Lente Fácica | |
|---|---|---|
| Mecanismo | Remove tecido da córnea | Implanta lente dentro do olho sem tocar a córnea |
| Reversibilidade | Não reversível | Reversível (lente pode ser removida) |
| Indicação para grau muito alto | Limitada pela espessura corneana | Sim, até -20 dioptrias |
| Indicação para córnea fina | Não | Sim |
| Qualidade visual em graus altos | Boa | Muito boa (menos aberrações) |
| Olho seco pós-operatório | Mais comum | Menos frequente |
| Recuperação visual | 1 a 7 dias | 1 a 7 dias |
| Preserva cristalino natural | Sim | Sim |
| Exige câmara anterior adequada | Não | Sim |
Quando a lente fácica tende a ser preferida:
- Grau de miopia acima de -8 a -10 dioptrias (dependendo da córnea)
- Córnea fina ou com curvatura inadequada para o laser
- Ceratocone, em casos selecionados
- Paciente que já foi informado de que não pode fazer LASIK
Quando o laser tende a ser preferido:
- Grau dentro dos limites tratáveis pelo laser
- Córnea com espessura e curvatura adequadas
- Câmara anterior rasa que não comporta a lente fácica
- Preferência por não ter implante dentro do olho
Quer saber qual técnica é a mais indicada para o seu olho? Agende uma avaliação com o Dr. Glauco Aquino.
Resultados e qualidade visual
A lente fácica tem resultados publicados em grande volume na literatura científica, com estudos de acompanhamento de mais de 20 anos. Os dados consolidados mostram:
- Alta previsibilidade: a maioria dos pacientes atinge visão igual ou melhor que a corrigida com óculos antes da cirurgia
- Estabilidade do resultado ao longo do tempo, com mínima variação do grau
- Qualidade visual muito boa, especialmente em graus elevados, em que o laser pode introduzir mais aberrações ópticas
- Alta satisfação dos pacientes em estudos de qualidade de vida
Um aspecto frequentemente relatado por pacientes após a lente fácica é a qualidade visual em condições de baixa luminosidade, que tende a ser melhor do que com óculos ou lentes de contato de grau alto. Ainda assim, o resultado é sempre individual e depende das características de cada olho.
Recuperação e cuidados pós-operatórios
A recuperação da lente fácica é rápida. A maioria dos pacientes já enxerga bem nos primeiros dias após a cirurgia, e a melhora visual pode ser notada ainda nas primeiras horas.
Primeiros dias: pode haver sensibilidade à luz e leve flutuação da nitidez. Os colírios prescritos (anti-inflamatório e antibiótico) devem ser usados rigorosamente.
Primeira semana: a visão vai se estabilizando. A maioria dos pacientes retorna ao trabalho em 2 a 3 dias.
Primeiro mês: estabilização completa da visão. A pressão ocular é monitorada nas consultas de revisão para garantir que a lente está bem posicionada e que o olho está respondendo bem.
Cuidados gerais:
- Usar os colírios nas doses e horários prescritos
- Não esfregar os olhos
- Usar óculos de sol nas primeiras semanas
- Evitar piscinas, mar e ambientes com pó nos primeiros meses
- Comparecer a todas as consultas de revisão
- Relatar imediatamente qualquer mudança brusca de visão ou dor ocular
Avaliação pré-operatória
A avaliação para lente fácica é mais abrangente que a avaliação para laser, porque envolve medições específicas da anatomia interna do olho.
Tomografia de córnea: confirma que o laser não seria indicado e que a lente fácica é a melhor opção.
Microscopia especular do endotélio: conta e avalia as células endoteliais da córnea. A contagem mínima segura faz parte dos critérios de indicação da lente e deve ser acompanhada anualmente após o implante.
Biometria e OCT do segmento anterior (ou UBM): medições do tamanho e da profundidade da câmara anterior, usadas para calcular o tamanho correto da lente a ser implantada.
Refração com e sem cicloplégico: medição precisa do grau. O cicloplégico é a dilatação com colírio que relaxa o músculo ciliar, garantindo que o grau real do olho seja avaliado sem a interferência da acomodação.
Pressão ocular e avaliação do ângulo: descartam glaucoma e verificam a geometria do ângulo entre a íris e a córnea.
Mapeamento de retina: avalia alterações no fundo do olho, mais comuns em pacientes com alta miopia.
A avaliação costuma durar entre 2 e 3 horas, com os olhos dilatados. Não é possível dirigir após o exame. Outros exames, como o OCT da retina, podem ser necessários dependendo do paciente.
Lente fácica em São Paulo: o que considerar
Experiência com o implante: a lente fácica tem nuances técnicas importantes, especialmente no cálculo do tamanho da lente e no manejo de casos com anatomia limítrofe.
Avaliação detalhada do segmento anterior: a biometria e a microscopia especular são exames centrais no planejamento. Uma avaliação que não inclua essas medições não está completa.
Acompanhamento pós-operatório estruturado: a pressão ocular e o posicionamento da lente são monitorados nas revisões.
Transparência sobre a indicação: alguns pacientes chegam querendo lente fácica, mas têm câmara anterior rasa ou contagem endotelial limítrofe. Um bom cirurgião informa quando a indicação não é favorável e explica por quê.
Quer saber se você é candidato à lente fácica? Agende uma avaliação com o Dr. Glauco Aquino.
Perguntas frequentes sobre lente fácica
A lente fácica é permanente?
A lente fácica é projetada para ser permanente, mas é reversível. A lente pode ser removida ou substituída se necessário, por exemplo, quando no futuro o paciente naturalmente desenvolver catarata e precisar trocar o cristalino.
A lente fácica dói?
Durante a cirurgia, não, pois é usada anestesia tópica com colírio e sedação leve. No pós-operatório imediato pode haver sensibilidade à luz e leve desconforto nas primeiras horas. A maioria dos pacientes relata recuperação muito confortável.
Consigo sentir a lente dentro do olho?
Não. A lente fácica é posicionada em um espaço anatômico do olho onde não há receptores táteis ou de dor. Os pacientes não sentem a presença da lente após a cirurgia.
Quanto tempo dura o efeito da lente fácica?
O efeito é estável ao longo do tempo. Estudos de acompanhamento de muitos anos mostram mínima variação do grau, e a lente em si não sofre degradação. O que pode mudar ao longo da vida é o próprio olho: o envelhecimento natural pode trazer presbiopia e eventualmente catarata, que são condições independentes da lente fácica.
Lente fácica e laser: qual é melhor?
Depende do caso. Para graus muito altos ou córneas inadequadas para o laser, a lente fácica costuma ser a melhor opção disponível. Para graus menores com córnea adequada, o laser pode ser igualmente eficaz e mais simples. A avaliação define qual técnica oferece o melhor resultado para cada olho.
Posso fazer lente fácica se tenho ceratocone?
Depende do estágio e da estabilidade do ceratocone. Em casos selecionados, com ceratocone leve e estável, a lente fácica pode ser considerada. Em ceratocone ativo ou progressivo, o manejo é diferente e pode envolver crosslinking antes de qualquer cirurgia refrativa. A regularização do ceratocone com anéis corneanos pode ser necessária. A avaliação é fundamental para definir o caminho.
Qual grau de miopia a lente fácica corrige?
A ICL EVO atual cobre miopia de -3 a -20 dioptrias, dependendo dos parâmetros do olho e da câmara anterior. Para graus abaixo de -6 em pacientes com córnea adequada, o laser costuma ser preferido.
A lente fácica pode ser combinada com laser?
Sim. Em alguns casos, a lente fácica é combinada com laser para refinar o resultado final, especialmente quando há um astigmatismo residual pequeno após o implante. Essa combinação é chamada de “bioptics” e é planejada individualmente.
Tem dúvidas sobre a lente fácica para o seu caso específico? Agende uma avaliação com o Dr. Glauco Aquino.
Sobre o autor

Dr. Glauco Aquino
Oftalmologista especialista em Cirurgia Refrativa, Cirurgia de Catarata e Glaucoma Clínico e Cirúrgico Avançado. Fellowship e Residência Médica pela UNIFESP. Atende exclusivamente particular na Vila Mariana, São Paulo.
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