Por Dr. Glauco Aquino, oftalmologista | CRM-SP 216.478 | RQE 126.831
Publicado em: 04/06/2026
A catarata se opera quando ela começa a atrapalhar o seu dia a dia, não quando “amadurece”. Esse é o critério moderno: se a visão embaçada já incomoda para dirigir, ler, trabalhar ou reconhecer rostos, e a troca de óculos não resolve mais, é hora de avaliar a cirurgia. Não existe uma idade fixa nem um momento mágico. Existe o seu incômodo e a avaliação de um especialista.
O mito de “esperar a catarata amadurecer”
Por muito tempo se acreditou que era preciso esperar a catarata ficar bem avançada para operar. Isso não vale mais.
A cirurgia atual, chamada facoemulsificação, é feita com aparelhos modernos e dura em média de 15 a 40 minutos por olho. Não depende de a catarata estar “dura”.
E tem um ponto importante: cataratas muito avançadas tornam a cirurgia mais trabalhosa e a recuperação mais lenta. Esperar demais, na maioria dos casos, não traz vantagem. Pode complicar.
Por esse motivo, a pergunta deixou de ser “minha catarata já está madura?” e passou a ser “ela já atrapalha o que eu preciso fazer?”.
Os sinais de que pode ser a hora
A catarata costuma evoluir devagar. Muita gente se acostuma com a piora sem perceber. Alguns sinais ajudam a reconhecer:
- Visão embaçada ou com aspecto “lavado”, como se houvesse uma névoa
- Dificuldade para enxergar à noite, principalmente ao dirigir
- Sensibilidade à luz, brilhos e halos ao redor de faróis e lâmpadas
- Cores que parecem mais desbotadas
- Troca frequente do grau dos óculos sem melhora real
Se você se reconhece em mais de um desses pontos, vale uma avaliação. Não para operar correndo. Para entender em que estágio está.
Não é só “coisa de idoso”
A catarata é mais comum a partir dos 60 anos, mas começa a se desenvolver antes do que muita gente pensa, já a partir dos 40 a 50 anos.
Algumas situações antecipam o processo. O alto mÃope, por exemplo, tem mais chance de desenvolver catarata mais cedo. Esse é um fator de risco independente. Histórico de uso prolongado de certos medicamentos, traumas no olho e algumas doenças também podem influenciar.
Ou seja: catarata em pessoas na faixa dos 40 e 50 anos existe e não é raridade.
Acima de 55 anos: quando a cirurgia vai além da catarata
Aqui vale um recorte importante, especialmente para quem é hipermétrope.
Depois dos 55 anos, o cristalino já perdeu boa parte da sua elasticidade. Se você já afasta o celular para ler, precisa de óculos para perto no trabalho ou sente que a leitura foi ficando cada vez mais incômoda com o tempo, o cristalino envelhecido pode ser o centro do problema, mesmo que a catarata ainda não apareça de forma evidente na consulta.
Para hipermétropes nessa faixa de idade, a janela para cirurgia a laser vai se estreitando com o tempo. A cirurgia do cristalino, nesses casos, se torna a abordagem mais indicada.
O ponto que muita gente desconhece: a troca do cristalino não serve apenas para tratar a catarata instalada. Com a escolha certa da lente intraocular, é possÃvel reduzir de forma significativa a necessidade de óculos para perto, para longe, ou para as duas distâncias. A expectativa depende do olho, do grau, do estilo de vida e da lente mais adequada para cada caso. Nenhuma lente é universal. A escolha é feita na avaliação, individualmente.
Um detalhe que costuma surpreender: o cristalino artificial não envelhece. Quem faz a cirurgia nessa fase não vai desenvolver catarata depois, porque o tecido que opacifica, o cristalino natural, não está mais lá.
Se você tem mais de 55 anos, é hipermétrope e a dependência de óculos já atrapalha o dia a dia, vale discutir essa opção em consulta. Pode ser o momento mais adequado para agir, antes que a janela se estreite ainda mais.
A decisão é sua, com orientação técnica
Quem decide o momento da cirurgia é você, com base no quanto a visão afeta a sua rotina. O papel do oftalmologista é dar a informação clara para essa escolha.
Na avaliação, eu verifico o grau da opacidade, mas olho muito além disso. Avalio a saúde da retina, a pressão ocular e as condições gerais do olho. Exames como a biometria, que calcula a lente a ser implantada, e a OCT, uma tomografia que avalia a retina, fazem parte desse planejamento. A OCT é um exame separado da topografia de córnea, e cada um responde a uma pergunta diferente.
A cirurgia de catarata é a segunda mais realizada no mundo, atrás apenas da cesárea. É um procedimento maduro. Ainda assim, cada olho é único, e o planejamento individual é o que sustenta um bom resultado.
Por que a cirurgia “de 20 minutos” exige tanto preparo
Aqui mora uma confusão comum. O tempo curto da cirurgia esconde o trabalho que vem antes dela.
O que define o resultado não é o tempo na sala. É a escolha da lente intraocular certa para o seu olho, o cálculo preciso dessa lente e o estudo de cada detalhe da sua visão. Isso vem de anos de treinamento e de horas de planejamento por paciente.
Existem várias categorias de lentes intraoculares, das monofocais à s de tecnologia mais avançada. Nenhuma é “a melhor” para todo mundo. Cada uma tem indicações e perfis diferentes, e a escolha é sempre individualizada, conforme o seu olho e o seu estilo de vida.
Catarata e glaucoma ao mesmo tempo
Em alguns pacientes, a catarata aparece junto com o glaucoma. Isso pode ser uma oportunidade.
Em casos selecionados, é possÃvel tratar os dois problemas em uma única cirurgia, combinando a remoção da catarata com técnicas para o controle da pressão ocular. A indicação depende do tipo e do estágio do glaucoma. Você pode entender melhor esse cenário na página sobre glaucoma em São Paulo.
E depois? A catarata pode voltar?
A catarata removida não volta. A lente que entra no lugar do cristalino não desenvolve catarata de novo.
Com o tempo, parte dos pacientes percebe um leve embaçamento causado pela opacificação da cápsula que segura a lente. Isso não é uma complicação. É um processo natural de cicatrização do olho. Quando incomoda, o tratamento é rápido: uma aplicação de laser no próprio consultório, sem cortes.
Para entender o panorama completo da catarata, dos tipos de lente à recuperação, veja a página completa sobre cirurgia de catarata em São Paulo.
Perguntas frequentes
Existe uma idade certa para operar a catarata?
Não. O que define o momento é o impacto da visão na sua rotina, não a idade. Há quem opere na faixa dos 50 e quem espere mais tempo, conforme o incômodo.
Preciso esperar a catarata “amadurecer”?
Não. Esse conceito está ultrapassado. Esperar demais pode tornar a cirurgia mais trabalhosa e a recuperação mais lenta.
A cirurgia de catarata dói?
Não. É feita com anestesia em forma de colÃrio. A maioria dos pacientes relata desconforto mÃnimo durante o procedimento.
Quanto tempo depois opero o segundo olho?
Costuma variar de alguns dias a algumas semanas entre um olho e o outro, conforme a recuperação e o planejamento individual.
Vou parar de usar óculos depois da cirurgia?
Depende da lente escolhida e do seu olho. Algumas lentes reduzem bastante a necessidade de óculos. A expectativa real é definida na avaliação, caso a caso.
Tenho mais de 55 anos, sou hipermétrope e uso óculos para perto. A cirurgia pode me ajudar?
Sim, pode ser uma indicação. A cirurgia do cristalino, nesses casos, vai além de tratar a catarata: com a lente intraocular certa, é possÃvel reduzir de forma significativa a necessidade de óculos para perto e para longe. A indicação e a escolha da lente dependem da avaliação do seu olho, do seu grau e do seu estilo de vida.
Vale uma avaliação?
Se a visão embaçada já mudou a forma como você dirige, lê ou trabalha, o primeiro passo não é decidir operar. É entender em que ponto a sua catarata está.
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Quer saber se já é o momento de tratar a sua catarata?
Agende uma avaliação com o Dr. Glauco Aquino.
Dr. Glauco Aquino / CRM-SP 216.478 | RQE 126.831